quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Cadernos, diários e anotações

Quando pequena escrevia em diário, com direito a cadeado e tudo mais.

Comecei criança com aquele diário do início dos anos 90, era cheiroso, com folhas cor-de-rosa e tinha uma capa de plástico rosa também, nela duas abas pequenas (bem frágeis!) para colocar o cadeado que vinha com duas chavinhas. Eu deixava as duas juntas, não entendia a lógica ainda.

Escrevia ali coisas que aconteciam nos meus dias, bobeiras bem inocentes.

Depois veio a fase das agendas, lá escrevia as angústias adolescentes, os amores secretos, as estripulias... Colocava tudo naquelas páginas, papel de bala, de bombom, ticket de cinema, canudinho, bilhetinhos de amigos e tantas outras tranqueiras que nem me lembro mais. Usava canetinha hidrocor, caneta de 10 cores (hahaha!) e muitos clips de papel de cores fluorescente de plástico e adesivos.

Colava nas páginas aquelas figurinhas do álbum "Amar é..." e escrevia muito.

Passou a fase rebelde e alegre demais, não me lembro se comprei ou se ganhei um caderno igual ao diário que a Helena usava naquela novela do Manoel Carlos "Por Amor", era encapado com tecido, todo chique.

Este diário ainda está em uso, mas não escrevo há muito tempo, muito mesmo. Já tinha iniciado ele com a proposta de escrever só quando precisasse, quando algo muito grande estivesse dentro de mim.

Ele é o mais pesado de todos, as dores foram evoluindo com a idade chegando, mas sempre que leio me faz bem, porque aquilo tudo que está ali registrado fica bem menor com o passar do tempo, muitas vezes ganha até um sorriso durante a leitura, um suspiro satisfeito...

Agora tem esse blog, que pensei que seria mais atualizado, mas percebo que por ser mais íntimo, com reflexões bem pessoais e de assuntos meus, não posso me forçar a escrever. Talvez se eu fosse uma escritora melhor, talvez se precisasse mais desabafar.

Estou com a impressão que já escrevi um post parecido com esse bem no começo do blog. Já foi!





terça-feira, 28 de setembro de 2010

Uma família desmembrada

Não foi a morte e nem a separação.

Na verdade eu não consigo entender o que houve com essa família, porque os membros se desligaram.

Houve sim uma separação, marido e mulher se separam e muitas vezes não se relacionam mais, o que é natural em muitos dos casos.

Não houve traição, não houve violência física, não houve escândalos públicos.

Todo e qualquer amor, afeição e preocupação dos filhos, já adultos, com os pais é nulo. Tudo é muito frio, impessoal, nada familiar. Os pais, por sua vez, não conseguem estabelecer um contato mais amigável com os filhos.

Desde um simples gesto por se importar com a consulta do médico, com o programa de sábado no almoço ou o aniversário. Nada, nenhum movimento de carinho.

E como pode acontecer assim? E toda a história de antes da separação? A consideração.

A sensação que eu tenho é que a separação devia ter ocorrido há 10 ou 15 anos, como não aconteceu o processo de distanciamento se iniciou mesmo assim, ou seja, agora com a separação nada mais há entre os membros da família, só um vazio que incomoda.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Meus suspiros e minhas faltas

Conversei hoje com um cliente que vive em Manaus pelo msn, ele tem um livraria lá e sempre o admirei pela forma como obteve sucesso em sua empreitada.

O sucesso e a satisfação de trabalhar com livro, ter seu próprio negócio, conseguir fazer dar certo.

Isso tudo longe daqui, dessa loucura que é São Paulo, do tumulto e de onde o capital gira.

Voltei a pensar em duas coisas que estão ligadas e que são opostas, em duas formas de viver, de trabalhar.

Penso muito em criar um serviço de entrega de jantares caseiros, para os paulistanos que sempre não tem tempo para fazer uma refeição gostosa e completa, ou não compensa, afinal cozinhar para uma ou duas pessoas é muito complicado.

E também tenho vontade de sair daqui e abrir um albergue da juventude no nordeste, viver perto de gente animada e jovem, mudar de vida totalmente.

A conversa trouxe esses pensamentos de volta, trouxe um suspiro bom, cheio de vontade e outro ruim, com frustração e incompetência.

Falta dinheiro, falta apoio, falta coragem, falta conhecimento...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Pequenas coisas banais que ele faz por mim

Vou tentar listar sempre as pequenas coisas que ele faz por mim, podem ser banais e na maioria das vezes eu nem noto...

Por isso mesmo que resolvi escrever.

Ele lava a louça

Ele fecha as portas de correr do nosso armário

Ele recolhe o lixo e leva pra fora

Ele traz um chocolate quando volta do trabalho

Ele tranca a porta de casa

Ele recolhe as roupas do varal

(...)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Namoro à Distância

Namorar morando em cidades diferentes.

Eu vivi isso por um ano e meio, eu no interior e ele na grande São Paulo. Eram 276 km de separação, uma parada no posto de gasolina para lanche e toalete, mais outra parada em São Carlos. Assim era o itinerário do ônibus que ou eu ou ele pegávamos todos os finais de semana, sem furar nenhum. Araraquara - São Paulo, São Paulo - Araraquara.

Também conversamos longamente por telefone, todos os dias, logo que o relógio passava da meia noite ou um ou outro ligava, o telefone mal tocava e já era atendido. Depois da meia noite porque era mais barato, não sei se ainda é assim hoje.

Lembro como toda a espera era extasiante, a espera por encontrá-lo, a espera pelo toque do telefone, a espera por ouvir o alô do outro lado.

Comecei a pensar neste tema quando conversei com uma amiga de lá que está namorando um amigo que está aqui em São Paulo, já estão juntos a bastante tempo e acabei relembrando minha época de namoro.

São alguns pontos muito positivos que quero citar aqui, um deles é o fator saudade que acontece bem no comecinho da relação, quando estamos no auge da paixão, querendo ficar junto o tempo todo, fazer de tudo junto, a fase da melação e grude total. Mas não é possível, a partida de um dos dois é inevitável, assim como a saudade que vem e invade tudo. A sensação de saudade que sabemos que está para morrer é muito boa!

Outro ponto é exatamente o contrário, a distância força o encontro íntimo que nem todo namoro tem como regra, ou seja, quando se encontram precisam abrir suas casas, arrumar um cantinho para dormir, apresentar a família...

Com tudo isso vem algo muito importante, começa mais cedo a fase do planejamento, pois começamos a pensar logo como fazer para acabar com a tal distância e o sonhar junto que constrói a vida de um casal.

A sensação que tenho é que o namoro à distância amadurece mais cedo...

domingo, 29 de agosto de 2010

Aprender a curtir a dor e a tristeza

Quando a tristeza nos invade o peito precisamos aprender a identificar que tipo de tristeza é a que sentimos.

Muitas vezes o que nos entristece é algo que precisa ser curtido, maturado dentro de nós antes de ser descartado.

Tristezas que não passam por esse processo tendem a retornar com muito mais força.

Estou falando dessas tristezas que batem e que não tem uma solução específica, dessas que não precisam ser repensadas ou que possam ser diferentes.

Tristeza por tristeza. Pura e simples.

Um choro que dói, mas alivia em seguida... Choro que não é a solução porque não há problema para ser resolvido, choro do tipo explosão, transbordo e esvaziamento.

Isso mesmo, curtir a dor e a tristeza, esvaziar-se dela. É preciso aprender para seguir em frente.

domingo, 4 de abril de 2010

Dissimular

Quando há necessidade de se fazer o que você não faria para contentar aos outros ou a si mesmo.

Isso é dissimular?

domingo, 18 de outubro de 2009

Duas Situações

Quando o coração está assim cheio de suspiros o que podemos ou não fazer?

Nessas horas há duas situações que geram infinitas possibilidades...

Se estou de fora e o coração que salta não é o meu, aconselho bem baixinho e com medo:
- Cuidado! Cautela! Nosso sentimento pode sentir sozinho, mesmo acreditando estar acompanhado.

Se estou dentro e é o meu peito que pula e sorri, grito bem alto e cheia de coragem:
- Foda-se! Se for para doer vai ser só em mim mesmo! Se joga!!!

Ou pode ser exatamente o contrário.

Se digo para alguém é assim:
- O máximo que pode acontecer é você sofrer, prefere desistir sem saber o que pode acontecer?!

Se digo para mim mesma:
- Melhor deixar para lá, estou cansada de sempre ser a que se entrega demais...

Não há muito o que dizer, mas também não há como ficar calada.

Como saber?!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Listinha para o jogo de futebol

Eu conheço muitas pessoas apaixonadas por futebol, torcedores fervorosos, aqueles que estão em jogos nos estádios ou dispensam todos os convites para assistir um na TV mesmo.

Vivo com um torcedor, não é fanático, mas é apaixonado. Uma paixão dessas iguais as que sentimos quando adolescentes.

Ele fica calado, não sabe direito onde coloca as mãos enquanto o jogo está rolando. Os pés ficam frios como pedras de gelo.

Quando está com sua paixão (assistindo o time jogar pela televisão) não tem olhos para mais nada, nem ouvidos, nem olfato, nem tato... Apetite então, esquece!

Posso desfilar com a mais provocante lingerie, contar a fofoca mais interessante, tocar fogo na cozinha ou fazer um carinho nas suas pernas. Nada é sequer registrado. E se eu insistir é briga na certa!

Aí eu choro, ele resmunga... Bunda com bunda e Boa noite!

Assim, para dormir sempre de conchinha, já escrevi o que não fazer em dia de jogo na minha listinha!!!


terça-feira, 21 de julho de 2009

Dores Alheias

Não é Fácil
Marisa Monte - Composição: Marisa Monte/Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown


Não é fácil
Não pensar em você
Não é fácil
É estranho
Não te contar meus planos
Não te encontrar

Todo dia de manhã
Enquanto tomo meu café amargo
É, ainda boto fé
De um dia te ter ao meu lado

Na verdade eu preciso aprender
Não é fácil, não é fácil

Onde você anda
Onde está você
Toda vez que saio
Me preparo pra talvez te ver

Na verdade eu preciso esquecer
Não é fácil, não é fácil

Todo dia de manhã
Enquanto tomo meu café amargo
É, ainda boto fé
De um dia te ter ao meu lado

O que eu faço
O que posso fazer?
Não é fácil
Não é fácil

Se você quisesse ia ser tão legal
Acho que eu seria mais feliz
Do que qualquer mortal

Na verdade não consigo esquecer
Não é fácil
É estranho


Uma amiga desmanchou um relacionamento recentemente. Um relacionamento maduro, aos meus apertados olhos.

Essa música me fazia doer o peito quando ouvia lá no interior, sozinha, com minhas angústias e minhas perguntas vazias.

Não sei o que ela sente, posso dizer que eu imagino, mas imaginar é supor, não dá para dimensionar nada, não dá para sentir no lugar para entender melhor o que é.

Sei que não é fácil, que a cabeça faz voltas nas perguntas, retorna para as lembranças, vasculha as falas procurando explicações que talvez não existam.

***Será um retorno meu ao blog?? Abandonado, coitado!***