quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Dias chuvosos e tristezas estranhas




Hoje choveu o dia todo.

Aquela chuva constante, praticamente linear.

Isso deixou o dia triste, mas foi uma pequena discussão com o marido no final do dia que me deixou estranhamente triste.

Pode ser a TPM que está deixando minha sensibilidade à flor da pele ou é essa época do ano que também mexe comigo.

Agora é a madrugada que continua chuvosa, o som continua e essa tristeza vazia está aqui dentro do peito.


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Meu melhor amigo é o meu marido.

Será que isso deveria me preocupar?

Somos sexualmente ativos sim, adoramos conversar, se cutucar, fazer um afago, vamos ao cinema, jantamos fora...Cuidamos da casa do nosso estranho jeito, brigamos como qualquer outro casal normal.

Também acho normal ser amigo do seu parceiro numa relação. Mas ele ser o seu melhor amigo, tudo bem?

Fica a pergunta.

Mas que é bom demais e sempre que posso abraço e cheiro ele assim... (Não é lindo? É um dragão e uma menina!!! E repara só a alegria dela! Sou eu!!!)

*Ilustração de Hiro Kawahara




quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Cadernos, diários e anotações

Quando pequena escrevia em diário, com direito a cadeado e tudo mais.

Comecei criança com aquele diário do início dos anos 90, era cheiroso, com folhas cor-de-rosa e tinha uma capa de plástico rosa também, nela duas abas pequenas (bem frágeis!) para colocar o cadeado que vinha com duas chavinhas. Eu deixava as duas juntas, não entendia a lógica ainda.

Escrevia ali coisas que aconteciam nos meus dias, bobeiras bem inocentes.

Depois veio a fase das agendas, lá escrevia as angústias adolescentes, os amores secretos, as estripulias... Colocava tudo naquelas páginas, papel de bala, de bombom, ticket de cinema, canudinho, bilhetinhos de amigos e tantas outras tranqueiras que nem me lembro mais. Usava canetinha hidrocor, caneta de 10 cores (hahaha!) e muitos clips de papel de cores fluorescente de plástico e adesivos.

Colava nas páginas aquelas figurinhas do álbum "Amar é..." e escrevia muito.

Passou a fase rebelde e alegre demais, não me lembro se comprei ou se ganhei um caderno igual ao diário que a Helena usava naquela novela do Manoel Carlos "Por Amor", era encapado com tecido, todo chique.

Este diário ainda está em uso, mas não escrevo há muito tempo, muito mesmo. Já tinha iniciado ele com a proposta de escrever só quando precisasse, quando algo muito grande estivesse dentro de mim.

Ele é o mais pesado de todos, as dores foram evoluindo com a idade chegando, mas sempre que leio me faz bem, porque aquilo tudo que está ali registrado fica bem menor com o passar do tempo, muitas vezes ganha até um sorriso durante a leitura, um suspiro satisfeito...

Agora tem esse blog, que pensei que seria mais atualizado, mas percebo que por ser mais íntimo, com reflexões bem pessoais e de assuntos meus, não posso me forçar a escrever. Talvez se eu fosse uma escritora melhor, talvez se precisasse mais desabafar.

Estou com a impressão que já escrevi um post parecido com esse bem no começo do blog. Já foi!





terça-feira, 28 de setembro de 2010

Uma família desmembrada

Não foi a morte e nem a separação.

Na verdade eu não consigo entender o que houve com essa família, porque os membros se desligaram.

Houve sim uma separação, marido e mulher se separam e muitas vezes não se relacionam mais, o que é natural em muitos dos casos.

Não houve traição, não houve violência física, não houve escândalos públicos.

Todo e qualquer amor, afeição e preocupação dos filhos, já adultos, com os pais é nulo. Tudo é muito frio, impessoal, nada familiar. Os pais, por sua vez, não conseguem estabelecer um contato mais amigável com os filhos.

Desde um simples gesto por se importar com a consulta do médico, com o programa de sábado no almoço ou o aniversário. Nada, nenhum movimento de carinho.

E como pode acontecer assim? E toda a história de antes da separação? A consideração.

A sensação que eu tenho é que a separação devia ter ocorrido há 10 ou 15 anos, como não aconteceu o processo de distanciamento se iniciou mesmo assim, ou seja, agora com a separação nada mais há entre os membros da família, só um vazio que incomoda.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Meus suspiros e minhas faltas

Conversei hoje com um cliente que vive em Manaus pelo msn, ele tem um livraria lá e sempre o admirei pela forma como obteve sucesso em sua empreitada.

O sucesso e a satisfação de trabalhar com livro, ter seu próprio negócio, conseguir fazer dar certo.

Isso tudo longe daqui, dessa loucura que é São Paulo, do tumulto e de onde o capital gira.

Voltei a pensar em duas coisas que estão ligadas e que são opostas, em duas formas de viver, de trabalhar.

Penso muito em criar um serviço de entrega de jantares caseiros, para os paulistanos que sempre não tem tempo para fazer uma refeição gostosa e completa, ou não compensa, afinal cozinhar para uma ou duas pessoas é muito complicado.

E também tenho vontade de sair daqui e abrir um albergue da juventude no nordeste, viver perto de gente animada e jovem, mudar de vida totalmente.

A conversa trouxe esses pensamentos de volta, trouxe um suspiro bom, cheio de vontade e outro ruim, com frustração e incompetência.

Falta dinheiro, falta apoio, falta coragem, falta conhecimento...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Pequenas coisas banais que ele faz por mim

Vou tentar listar sempre as pequenas coisas que ele faz por mim, podem ser banais e na maioria das vezes eu nem noto...

Por isso mesmo que resolvi escrever.

Ele lava a louça

Ele fecha as portas de correr do nosso armário

Ele recolhe o lixo e leva pra fora

Ele traz um chocolate quando volta do trabalho

Ele tranca a porta de casa

Ele recolhe as roupas do varal

(...)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Namoro à Distância

Namorar morando em cidades diferentes.

Eu vivi isso por um ano e meio, eu no interior e ele na grande São Paulo. Eram 276 km de separação, uma parada no posto de gasolina para lanche e toalete, mais outra parada em São Carlos. Assim era o itinerário do ônibus que ou eu ou ele pegávamos todos os finais de semana, sem furar nenhum. Araraquara - São Paulo, São Paulo - Araraquara.

Também conversamos longamente por telefone, todos os dias, logo que o relógio passava da meia noite ou um ou outro ligava, o telefone mal tocava e já era atendido. Depois da meia noite porque era mais barato, não sei se ainda é assim hoje.

Lembro como toda a espera era extasiante, a espera por encontrá-lo, a espera pelo toque do telefone, a espera por ouvir o alô do outro lado.

Comecei a pensar neste tema quando conversei com uma amiga de lá que está namorando um amigo que está aqui em São Paulo, já estão juntos a bastante tempo e acabei relembrando minha época de namoro.

São alguns pontos muito positivos que quero citar aqui, um deles é o fator saudade que acontece bem no comecinho da relação, quando estamos no auge da paixão, querendo ficar junto o tempo todo, fazer de tudo junto, a fase da melação e grude total. Mas não é possível, a partida de um dos dois é inevitável, assim como a saudade que vem e invade tudo. A sensação de saudade que sabemos que está para morrer é muito boa!

Outro ponto é exatamente o contrário, a distância força o encontro íntimo que nem todo namoro tem como regra, ou seja, quando se encontram precisam abrir suas casas, arrumar um cantinho para dormir, apresentar a família...

Com tudo isso vem algo muito importante, começa mais cedo a fase do planejamento, pois começamos a pensar logo como fazer para acabar com a tal distância e o sonhar junto que constrói a vida de um casal.

A sensação que tenho é que o namoro à distância amadurece mais cedo...

domingo, 29 de agosto de 2010

Aprender a curtir a dor e a tristeza

Quando a tristeza nos invade o peito precisamos aprender a identificar que tipo de tristeza é a que sentimos.

Muitas vezes o que nos entristece é algo que precisa ser curtido, maturado dentro de nós antes de ser descartado.

Tristezas que não passam por esse processo tendem a retornar com muito mais força.

Estou falando dessas tristezas que batem e que não tem uma solução específica, dessas que não precisam ser repensadas ou que possam ser diferentes.

Tristeza por tristeza. Pura e simples.

Um choro que dói, mas alivia em seguida... Choro que não é a solução porque não há problema para ser resolvido, choro do tipo explosão, transbordo e esvaziamento.

Isso mesmo, curtir a dor e a tristeza, esvaziar-se dela. É preciso aprender para seguir em frente.

domingo, 4 de abril de 2010

Dissimular

Quando há necessidade de se fazer o que você não faria para contentar aos outros ou a si mesmo.

Isso é dissimular?